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sábado, 23 de Agosto de 2014

A Brumas de Avalon: A senhora da magia de Marion Zimmer Bradley

Quando me dispus a ler este livro, não sabia nada sobre as lendas Arturianas. Acreditem, nada mesmo. Já tinha ouvido falar de alguns nomes como Camelot, Avalon, Lancelot e o rei Artur, mas não os atribuía a nenhuma personagem em particular que conhecesse.

Pouco tempo antes de começar a ler A Senhora da Magia, deparei-me com uma série chamada Merlin. Não sei se já ouviram falar mas  conta-nos a história de um jovem feiticeiro (Merlin) com o destino de ajudar, o então também jovem, príncipe Artur a se tornar um grande rei. É muito engraçada e em cada episódio é-nos apresentada uma aventura passada em Camelot onde os protagonistas são postos à prova.

Depois de ter então começado a assistir a esta série, fiquei mais familiarizada com alguns dos nomes que foram surgindo e comecei a atribuir-lhes caras.

A Senhora da Magia tornou-se um livro mais interessante pois comecei a relacionar as personagens da série com as do livro. Quem nos conta a história é a Morgana.
Começa quando esta ainda é um bebé e acompanha a perspectiva da sua mãe Igraine que se encontra casada com o Duque da Cornualha, Gorlois. Tem uma vida difícil como qualquer mulher daquela "época" que se via subjugada às vontades do marido e do que a religião cristã ditava. Porém ela descende da Deusa e então tem a Visão, mas esse seu lado tem de ser esquecido quando, aos 15 anos é dada ao seu marido e desde então vive uma vida infeliz até ao dia em que a sua irmã Viviane, senhora do lago e grã-sacerdotisa, acompanhada do grande druida Merlim, lhe fazem uma visita anunciando que o seu destino mudará.

Esta é apenas uma das poucas maneiras de resumir o início desta história com tantos acontecimentos. Para quem está familiarizado com as lendas arturianas, reconhecerá, certamente, estes nomes. Nesta história em particular, a lenda é-nos apresentada a partir da perspectiva de diversas mulheres importantes. Neste primeiro volume d'As Brumas de Avalon, temos a Morgana que é quem nos conta a história através do seu dom da visão, a Igraine e a Viviane.

O Cristianismo sofre bastantes críticas ao longo do livro através dos padres e especialmente do padre Columba que sempre criticam a mulher e a apontam como filha do pecado. Umas das partes que mais me chocou foi quando disseram que as mulheres eram consideradas como o "mal" pois tinham o sangue da mãe e consequentemente todas eram descendentes de Eva que cometeu o pecado no Paraíso. Porém os homens tinham o sangue dos pais e por isso estavam livre do pecado. Não sei se alguma vez a religião católica aceitou estes princípios mas fiquei realmente sem palavras perante este absurdo.

Apesar de ter gostado muito da história, inicialmente, à mediada que ia avançando ia-me aborrecendo em algumas partes. Foi um bom livro mas não tanto como esperava. Certamente continuarei a ler os próximos volumes mas não com tanto entusiasmo como entrei na série.

Beijinhos
Marina Pinho 

segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

O Perfume: A história de um assassino de Patrick Suskind

 Este livro foi publicado em 1985 na Alemanha por Patrick Suskind, na altura pouco conhecido. Foi logo considerado um dos romances mais importantes da década, sendo traduzido em 42 línguas. Em 2006 foi adaptado ao cinema com o nome O Perfume, pelo realizador Tom Tykwer. Ainda não tive a oportunidade de ver o filme todo, mas pelo que vi está muito parecido com o livro.

A história passa-se durante o século XVIII  e começa com o nascimento atribulado de Jean-Baptiste Grenouille, em Paris. Como já percebem ele teve uma vida dura desde que saiu da barriga da mãe e é-nos apresentado como uma personagem diferente. Desde bebé que ninguém o quer por perto porque pressentem que ele têm algo de diferente das outras pessoas. O que é verdade, Grenouille não produz nenhum cheiro, estar junto dele e não estar é quase o mesmo porque não o sentimos. Apesar disto, ele tem, possivelmente, o melhor nariz de todo o mundo. Consegue identificar e armazenar todos os tipos diferentes de odores, quer os bons quer os maus. É até  capaz de caminhar de olhos fechados guiando-se apenas pelo seu nariz. 
Um dia, ele capta um cheiro maravilhoso e vai atrás do seu rasto. Este, pertence a uma rapariga ainda nova que passava. Aquele cheiro é tão precioso para ele que acaba por mata-la, acidentalmente, na tentativa de perpetuar o seu odor mas com a morte da rapariga, o seu cheiro também desaparece.
Depois desse acontecimento, Jean-Baptiste decide que precisa de aprender a extrair e guardar o cheiro de todas as coisas. Começa então a sua busca pelo perfume perfeito, feito a partir do cheiro de raparigas virgens na puberdade.

O autor conquistou-me logo nas primeira páginas pela sua escrita. Ao longo da narrativa, a presença do olfacto é constante, quer no decurso da história com todos os cheiros captados por Grenouille quer também pelas descrições, logo nos primeiros capítulos, do autor. Ele é capaz de nos fazer sentir todos aqueles odores nauseabundos de Paris do século XVIII. A sua maneira de contar a história e como ele construiu esta personagem tão simples e tão complexa é maravilhosa. A primeira frase, descreve Jean-Baptiste de uma maneira excelente, um homem genial mas abominável.

Ao longo destes últimos dias, à medida que ia lendo o livro, dei comigo a prestar muito mais atenção aos cheiros à minha volta, até ao meu próprio cheiro. Acho que isso deve acontecer com quase todos aqueles que tem o prazer de ler este livro.

A única coisa menos boa que tenho a dizer sobre ele, que aliás nem tem muita importância porque é apenas uma questão pessoal, foram os momentos de descrição da composição e processo de criação dos perfumes que achei um pouco enfadonhos.

Ao pesquisar as capas deste livro, deparei-me com imensas capas lindas e por isso decidi partilhá-as convosco mais abaixo.

No geral, adorei este livro e recomendo a todos que o leiam porque vale muito a pena. 5/5 estrelas.




Beijinhos 
Marina Pinho

sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

Um agulha no palheiro ( The Catcher in the Rye) de J. D. Salinger

Os alunos americanos têm tanta sorte por poderem estudar este livro nas aulas! Quem me dera ter estudado Uma agulha no palheiro quando frequentei o secundário. Ok, por aqui já percebem que gostei do livro!

Jerome David Salinger é um famoso escritor do século XX. Nasceu em 1919 e morreu em 2010. A sua obra mais famosa é então Uma agulha no palheiro, ou The catcher in the rye, como é mais conhecido, tendo sido publicado em 1951.

Holden Caulfield é quem nos vai narrar a sua própria história. Começa então quando ele acaba de ser expulso de Pencey, que é a escola que frequentava, pouco antes das férias de natal. Como não quer voltar já para casa e ter de lidar com a fúria dos pais (pois não era a primeira vez que era expulso da escola), decide ir para Nova Iorque, onde mora, e vaguear pela cidade. Durante esses três dias que fica na cidade, vai viver vária situações e meter-se em alguns problemas, mas sempre reflectindo sobre ele próprio e os outros.

O livro é em primeira pessoa mas escrito de forma a que pareça uma conversa entre o leitor e o protagonista. Ele vai-nos pondo a par da sua história, como o seu irmão que morreu, e falando sobre a sua família e todos aqueles que entram na história seu conhecidos. Não posso contar muito daquilo que ele vive enquanto está em Nova Iorque porque não quero revelar demais, mas é um livro muito interessante e as situações em que ele se mete e as suas reacções para com elas, ajudam-nos a perceber ainda mais o seu carácter.

Holden não nos faz querer ser como ele, como muitos protagonistas adolescentes. Tem 16 anos mas ideais muito definidos. Poucos ou nenhuns são os adultos que não o façam ficar "varado" (expressão que ele usa constantemente), em contrapartida ele adora crianças e a sua ingenuidade para com o mundo. No fundo este livro é uma reflexão sobre como os adultos são falsos e usam constantemente máscaras para encobrirem o seu verdadeiro ser, enquanto as crianças não precisam nem usam esses tipos de mecanismos de defesa pois elas são espontâneas e verdadeiras. Uma das únicas personagens com quem Holden se entende é a sua irmã Phoebe que também é uma criança e com quem ele termina o seu relato.

Uma das passagens que mais me marcou e que acho que ilustra bem um dos sentidos do livro é a seguinte: "Mas o melhor daquele museu era as coisas estarem sempre quietas. Nada se movia. Podíamos ir lá cem mil vezes que o esquimó estaria ainda a pescar os dois peixes, os pássaros a voarem para o sul, os veados a beberem nas pequenas poças, com os lindos chifres inclinados e as belas e esguias pernas. A índia, com o peito descoberto, lá estaria a tecer o cobertor. Nada se modificava. Só nós nos modificávamos. Não digo que fôssemos mais velhos, isso não. Seríamos apenas diferentes, mais nada."  (pag.140).

Ao longo da obra também nos apercebemos de temas que preocupam tanto os jovens como o que o futuro trará e todas as inseguranças e experiências desta fase da vida.

O título da obra é-nos explicado na história pois um dos sonhos de Holden seria viver num campo de centeio situado junto a um precipício, com muitas crianças e ter como função impedir que elas caiam. Pode ser entendido como uma metáfora, ele estaria a impedir que as crianças caíssem na vida adulta.

A escrita é muito boa e simples pois a história está-nos a ser contada por um adolescente com a sua linguagem própria.

Nesta crítica falei muito pouco de tudo o que este livro aborda e engloba e recomendo muito que o leiam pois é um daqueles livros bons de ser ler em qualquer altura mas principalmente durante a adolescência.

Beijinhos
Marina Pinho