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sábado, 30 de Agosto de 2014

Outlander de Diana Gabaldon

Já há algum tempo que ouvia falar sobre esta série mas nunca quis saber bem sobre o que era. 

No outro dia, andava à procura de uma série para ver e deparei-me com dois episódios de Outlander. Não foi o meu espanto quando olho para a cotação no Imdb e esta é de 9.0. Ora, não é nada baixa então a minha curiosidade ainda aumentou mais. Entrei na série sem saber rigorosamente nada do que ela tratava e apaixonei-me por aqueles dois episódios. Achei a história super interessante e até a cena de entrada me fascinou (deixo o vídeo no fim do post). 

No fim de ver o segundo episódio precisava desesperadamente de saber o que iria acontecer a seguir então decidi ler o livro.

A história é contada em primeira pessoa através da perspectiva da Claire, uma enfermeira que, em 1945, acaba de partir para a sua segunda lua de mel depois de cinco anos sem ver o marido, devido à II Guerra Mundial. Um dia ela decide ir até um local chamado Craigh na Dun onde se encontravam umas pedras enormes e ao tocar numa delas, viaja no tempo até ao ano de 1743. Vê-se então num meio desconhecido e com costumes muito diferentes, sem as comodidades do século XX. 
Toda a história desenvolve-se a partir desse momento e ela vai tentar "encaixar-se" nessa nova sociedade e, claro, tentar voltar ao seu tempo. 

Uma das coisas que mais gostei neste livro foram as personagens e a maneira como vamos aprendendo com elas a maneira de viver da população do século XVIII. A viagem no tempo, apesar de parecer o acontecimento central, não o é. Rapidamente me esqueci do que aconteceu para me preocupar com o que as personagens estavam a viver e como a Claire se estava a relacionar com esta nova vida.

 A Claire é uma personagem muito realista, se estivesse na sua situação provavelmente teria tomado muitas das decisões que ela tomou, e bastante forte também pois, sendo uma mulher do século XX, não se rebaixa perante o pensamento retrógrado para com as mulheres da sociedade do século XVIII. Também outras personagens mostram ser relacionáveis e parecem reais. Apesar de haver romance no livro, não é um romance piegas e como os que já vimos em todo o lado, onde as personagens se deixam levar e entregam tudo pelo outro sem sofrerem e acaba tudo bem no fim. Neste livro as personagens sofrem e passam por situações difíceis e lidam com elas como seres humanos. 

A história é cheia de acção e de acontecimentos. Enquanto lia as ultimas páginas, lembrei-me de acontecimentos do início do livro que pareciam já se ter passado noutro livro. 

 A escrita da autora também é bastante agradável e coesa. Nota-se que houve pesquisa e o cuidado com o detalho é impressionante. Ao ler este livro, posso dizer que aprendi coisas que não sabia sobre a sociedade da época.

Diana Gabaldon publicou o livro em 1991. A autora pretendia treinar a sua escrita então pensou em começar a escrever uma história. Queria que relacionasse uma época histórica mas não sabia bem qual. Depois de ver um episódio de Doctor Who (The war games), onde o doctor tinha como companheiro um jovem de 17 anos do ano de 1745, chamado Jamie McCrimmon, a autora começou então a inspirar-se e daí nasceu Jamie Fraser. A Claire surgiu da sua vontade de colocar uma mulher moderna a "mandar" nos homens do século XVIII. Depois a sua maneira de fazer isso acontecer foi através de viagem no tempo.

Em Portugal o livro foi traduzido com o nome Nas Asas do Tempo para quem estiver interessado :)

Eu gostei do livro e recomendo a todos que o leiam e vejam a série que apesar de alterar algumas coisas está muito boa. 





Beijinhos 
Marina Pinho 

sábado, 23 de Agosto de 2014

A Brumas de Avalon: A senhora da magia de Marion Zimmer Bradley

Quando me dispus a ler este livro, não sabia nada sobre as lendas Arturianas. Acreditem, nada mesmo. Já tinha ouvido falar de alguns nomes como Camelot, Avalon, Lancelot e o rei Artur, mas não os atribuía a nenhuma personagem em particular que conhecesse.

Pouco tempo antes de começar a ler A Senhora da Magia, deparei-me com uma série chamada Merlin. Não sei se já ouviram falar mas  conta-nos a história de um jovem feiticeiro (Merlin) com o destino de ajudar, o então também jovem, príncipe Artur a se tornar um grande rei. É muito engraçada e em cada episódio é-nos apresentada uma aventura passada em Camelot onde os protagonistas são postos à prova.

Depois de ter então começado a assistir a esta série, fiquei mais familiarizada com alguns dos nomes que foram surgindo e comecei a atribuir-lhes caras.

A Senhora da Magia tornou-se um livro mais interessante pois comecei a relacionar as personagens da série com as do livro. Quem nos conta a história é a Morgana.
Começa quando esta ainda é um bebé e acompanha a perspectiva da sua mãe Igraine que se encontra casada com o Duque da Cornualha, Gorlois. Tem uma vida difícil como qualquer mulher daquela "época" que se via subjugada às vontades do marido e do que a religião cristã ditava. Porém ela descende da Deusa e então tem a Visão, mas esse seu lado tem de ser esquecido quando, aos 15 anos é dada ao seu marido e desde então vive uma vida infeliz até ao dia em que a sua irmã Viviane, senhora do lago e grã-sacerdotisa, acompanhada do grande druida Merlim, lhe fazem uma visita anunciando que o seu destino mudará.

Esta é apenas uma das poucas maneiras de resumir o início desta história com tantos acontecimentos. Para quem está familiarizado com as lendas arturianas, reconhecerá, certamente, estes nomes. Nesta história em particular, a lenda é-nos apresentada a partir da perspectiva de diversas mulheres importantes. Neste primeiro volume d'As Brumas de Avalon, temos a Morgana que é quem nos conta a história através do seu dom da visão, a Igraine e a Viviane.

O Cristianismo sofre bastantes críticas ao longo do livro através dos padres e especialmente do padre Columba que sempre criticam a mulher e a apontam como filha do pecado. Umas das partes que mais me chocou foi quando disseram que as mulheres eram consideradas como o "mal" pois tinham o sangue da mãe e consequentemente todas eram descendentes de Eva que cometeu o pecado no Paraíso. Porém os homens tinham o sangue dos pais e por isso estavam livre do pecado. Não sei se alguma vez a religião católica aceitou estes princípios mas fiquei realmente sem palavras perante este absurdo.

Apesar de ter gostado muito da história, inicialmente, à mediada que ia avançando ia-me aborrecendo em algumas partes. Foi um bom livro mas não tanto como esperava. Certamente continuarei a ler os próximos volumes mas não com tanto entusiasmo como entrei na série.

Beijinhos
Marina Pinho 

segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

O Perfume: A história de um assassino de Patrick Suskind

 Este livro foi publicado em 1985 na Alemanha por Patrick Suskind, na altura pouco conhecido. Foi logo considerado um dos romances mais importantes da década, sendo traduzido em 42 línguas. Em 2006 foi adaptado ao cinema com o nome O Perfume, pelo realizador Tom Tykwer. Ainda não tive a oportunidade de ver o filme todo, mas pelo que vi está muito parecido com o livro.

A história passa-se durante o século XVIII  e começa com o nascimento atribulado de Jean-Baptiste Grenouille, em Paris. Como já percebem ele teve uma vida dura desde que saiu da barriga da mãe e é-nos apresentado como uma personagem diferente. Desde bebé que ninguém o quer por perto porque pressentem que ele têm algo de diferente das outras pessoas. O que é verdade, Grenouille não produz nenhum cheiro, estar junto dele e não estar é quase o mesmo porque não o sentimos. Apesar disto, ele tem, possivelmente, o melhor nariz de todo o mundo. Consegue identificar e armazenar todos os tipos diferentes de odores, quer os bons quer os maus. É até  capaz de caminhar de olhos fechados guiando-se apenas pelo seu nariz. 
Um dia, ele capta um cheiro maravilhoso e vai atrás do seu rasto. Este, pertence a uma rapariga ainda nova que passava. Aquele cheiro é tão precioso para ele que acaba por mata-la, acidentalmente, na tentativa de perpetuar o seu odor mas com a morte da rapariga, o seu cheiro também desaparece.
Depois desse acontecimento, Jean-Baptiste decide que precisa de aprender a extrair e guardar o cheiro de todas as coisas. Começa então a sua busca pelo perfume perfeito, feito a partir do cheiro de raparigas virgens na puberdade.

O autor conquistou-me logo nas primeira páginas pela sua escrita. Ao longo da narrativa, a presença do olfacto é constante, quer no decurso da história com todos os cheiros captados por Grenouille quer também pelas descrições, logo nos primeiros capítulos, do autor. Ele é capaz de nos fazer sentir todos aqueles odores nauseabundos de Paris do século XVIII. A sua maneira de contar a história e como ele construiu esta personagem tão simples e tão complexa é maravilhosa. A primeira frase, descreve Jean-Baptiste de uma maneira excelente, um homem genial mas abominável.

Ao longo destes últimos dias, à medida que ia lendo o livro, dei comigo a prestar muito mais atenção aos cheiros à minha volta, até ao meu próprio cheiro. Acho que isso deve acontecer com quase todos aqueles que tem o prazer de ler este livro.

A única coisa menos boa que tenho a dizer sobre ele, que aliás nem tem muita importância porque é apenas uma questão pessoal, foram os momentos de descrição da composição e processo de criação dos perfumes que achei um pouco enfadonhos.

Ao pesquisar as capas deste livro, deparei-me com imensas capas lindas e por isso decidi partilhá-as convosco mais abaixo.

No geral, adorei este livro e recomendo a todos que o leiam porque vale muito a pena. 5/5 estrelas.




Beijinhos 
Marina Pinho