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sábado, 27 de Setembro de 2014

Jane Eyre de Charlotte Bronte

Jane Eyre. Que dizer deste livro? Apenas que é um dos muitos livro que todos devem ler.

Acho que o nome Bronte não é desconhecido de qualquer um que se declare a "bookworm". Este serve de apelido a três grandes escritoras da literatura inglesa, sendo uma delas a autora deste magnífico livro, a Charlotte Bronte.
Nasceu em 1816 no seio de uma família bastante numerosa mas que se viu reduzida devido à morte de alguns dos seus irmão enquanto ainda eram novos.
O livro Jane Eyre é muitas vezes considerado uma quase autobiografia da sua autora, não tanto pela ação mas pela maneira de pensar e pelas adversidades da vida da protagonista. Charlotte Bronte foi ela própria uma professora e depois tornou-se numa governanta.
Charlotte, sendo uma mulher do século XIX, teve de se esconder sob o pseudónimo masculino de Currer Bell, pois as mulheres não eram consideradas adequadas à ocupação de escritoras.

Falando do livro em si, Jane Eyre conta a história de vida desta protagonista pelas suas próprias palavras. É como se a Jane nos estivesse a contar a sua vida até ao momento presente parando muitas vezes a ação para se dirigir aos leitores tratado-nos por esse mesmo nome.

Começamos por acompanhar a Jane enquanto ela ainda é uma criança e se encontra aos cuidados da sua tia que a despreza, pois ambos os seus pais já se encontravam mortos. Durante esta altura, sentimos como ela foi injustiçada e maltratada não só pela tia como pelos seus primos que a desprezavam também. Já nesta altura, as partes góticas e sobrenaturais do livro se começam a revelar quando a pequena Jane vê algo não material no quarto vermelho, numa das vezes em que lá foi trancada por ter sido apanhada a defender-se (batendo no primo que a agredira anteriormente). Depois de ser vista por um médico este aconselha a sua tia a que a mande para uma escola, coisa que a protagonista aceita de bom grado pois só se queria ver livre daquelas opressões que sofria constantemente.
Mandam-na para uma escola extremamente austera mas onde ela conhece outras raparigas e acaba por se integrar. Passam-se oito anos e a Jane, já com dezoito, decide tornar-se preceptora (devido à sua excelente educação) e para isso escreve um anuncio a que a Sra. Fairfax responde. A partir do momento  em que chega a Thornfield Hall e passado alguns incidentes conhece o Sr. Rochester, a sua vida muda.

É escusado dizer que adorei este livro, penso que é difícil alguém não gostar pois, para além de uma história muito bem construída assim como uma protagonista nada usual, o livro apresenta-nos uma escrita maravilhosa com frases lindíssimas.

Gostei bastante do desenvolvimento da protagonista, começando como alguém dependente e com vontade própria que por vezes tinha de "abafar", para acabar uma mulher dona de si própria e totalmente independente.Penso também que este livro nos faz pensar em como uma mulher simples e, aparentemente, sem nada de especial se torna a heroína desta história e comanda a sua própria vida. Acho a Jane uma personagem profundamente inspiradora e um modelo de mulher forte e que não se deixa levar pelo que seria mais fácil, nem deixa de se amar a si própria ou renuncia aos seus princípios por ninguém.

Os elementos góticos e sobrenaturais prendem o leitor de forma a que ele queira saber o que tudo aquilo quer dizer e desvendar os segredos do livro.

É uma história muito bonita e que eu não me canso de recomendar.

E vocês, já leram? O que acharam?


Beijinhos 
Marina Pinho 

sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

George Orwell



"All animals are equal, but some animals are more equal than others." - Animal Farm

Há algum tempo comecei a assistir a alguns vídeos no Youtube sobre a vida e obra de alguns escritores e achei que seria interessante mostrar alguns dos factos sobre as suas vidas aqui no blog.

Para começar esta nova rubrica, escolhi um dos meus autores preferidos de sempre e que também é amado por imensas pessoas, George Orwell. 

Umas das coisas que mais achei interessantes é o facto deste não ser o verdadeiro nome do escritor, na verdade ele chama-se Eric Arthur Blair. 

Eric nasceu a 25 de Junho de 1903 em Motihari, Índia. Vive lá durante alguns anos mas vem para Londres onde estuda nas escolas de elite de Inglaterra. Desde muito novo que escreve, tendo mesmo publicado um poema num jornal local aos 11 anos. Lia autores como Rudyard Kiplin e H. G. Wells. 

Quando termina os estudos volta para a Índia onde se torna  polícia porém contrai uma doença e volta para a Europa. Mora em Paris durante algum tempo junto dos pobres e miseráveis influenciado pelas obras de Jack London (must read!). Nessa altura decide então escrever o seu primeiro livro Down and Out in Paris and London onde retrata a vida da classe baixa das duas cidades, sob o pseudónimo de George Orwell em consideração pela sua família, pois não os queria envergonhar. 

Retorna para Inglaterra com o objetivo de ser escritor, tornando-se também ensaísta e jornalista. 

Em 1934 casa-se com Eileen O'Shaughnessy que acaba por morrer em 1945. Têm um casamento "aberto" mas acabam por adotar um filho em 1944 e dão-lhe o nome de Richard Horatio Blair. Após a morte da mãe passa a ser criado pela irmã de Orwell, Avril. 
Ele e a mulher viajam para Espanha, em 1937, para se juntarem a um dos grupos que se opunham ao General Francisco Franco na Guerra Civil. Lá trabalha também como jornalista escrevendo diversos ensaios onde reporta os dias passados durante a guerra. 

Em 1938 é-lhe diagnosticado tuberculose e acaba por passar alguns anos num sanatório. 

Escreve Animal Farm, um dos seus livros mais populares, no ano da morte da sua mulher, 1945. Neste ele crítica essencialmente as mudanças e satiriza o governo de Josef Stalin e de Leon Trotsky, sendo cada um protagonizado por porcos (segundo consta!). 

( Ainda não tive a oportunidade de ler este livro mas é sem duvida um dos que mais quero ler! )

A sua última obra e também uma das mais famosas, 1984, foi escrita em 1948 enquanto Orwell se isolou numa ilha na Escócia num dos seus últimos anos de vida. 1984 mostra-se quase como uma profecia sobre como o futuro da humanidade se tornaria baseado nos acontecimentos políticos da época. 

George Orwell sempre  se considerou deslocado, afirmando mesmo pertencer à "classe média alta baixa". Inclusive pertencia aos dissidentes de esquerda, não se enquadrando só no partido de esquerda.  Numa altura da sua vida ele afirma ser contra qualquer tipo de regime totalitário seja ele qual for. Podemos por fim perceber que Orwell sempre buscou a verdade e que para além de um visionário, como podemos concluir pelas suas obras, foi também um revolucionário e rebelde.  

Ao pesquisar algumas biografias deparei-me com uma que me parece bastante interessante se algum de vocês estiver interessado! No fim deixo os links onde fiz as pesquisas para esta pequena biografia assim como o link da biografia escrita por Michael Shelden do Goodreads.  :)

“The most effective way to destroy people is to deny and obliterate their own understanding of their history.” 

“Political language is designed to make lies sound truthful and murder respectable, and to give an appearance of solidity to pure wind. ” 

“If you want a picture of the future, imagine a boot stamping on a human face—for ever.” 

Links: 

https://www.youtube.com/watch?v=VL-sjRG4aC0&index=19&list=PLxI8Can9yAHfwU1xgIgN2QLh6SuYsV2gG

https://www.youtube.com/watch?v=EuVYvkdTYWc

http://www.biography.com/people/george-orwell-9429833#early-career


Espero que tenham gostado desta nova rubrica e não se esqueçam de dizerem se querem ver mais destas pequenas biografias! 

Beijinhos 
Marina Pinho

sábado, 30 de Agosto de 2014

Outlander de Diana Gabaldon

Já há algum tempo que ouvia falar sobre esta série mas nunca quis saber bem sobre o que era. 

No outro dia, andava à procura de uma série para ver e deparei-me com dois episódios de Outlander. Não foi o meu espanto quando olho para a cotação no Imdb e esta é de 9.0. Ora, não é nada baixa então a minha curiosidade ainda aumentou mais. Entrei na série sem saber rigorosamente nada do que ela tratava e apaixonei-me por aqueles dois episódios. Achei a história super interessante e até a cena de entrada me fascinou (deixo o vídeo no fim do post). 

No fim de ver o segundo episódio precisava desesperadamente de saber o que iria acontecer a seguir então decidi ler o livro.

A história é contada em primeira pessoa através da perspectiva da Claire, uma enfermeira que, em 1945, acaba de partir para a sua segunda lua de mel depois de cinco anos sem ver o marido, devido à II Guerra Mundial. Um dia ela decide ir até um local chamado Craigh na Dun onde se encontravam umas pedras enormes e ao tocar numa delas, viaja no tempo até ao ano de 1743. Vê-se então num meio desconhecido e com costumes muito diferentes, sem as comodidades do século XX. 
Toda a história desenvolve-se a partir desse momento e ela vai tentar "encaixar-se" nessa nova sociedade e, claro, tentar voltar ao seu tempo. 

Uma das coisas que mais gostei neste livro foram as personagens e a maneira como vamos aprendendo com elas a maneira de viver da população do século XVIII. A viagem no tempo, apesar de parecer o acontecimento central, não o é. Rapidamente me esqueci do que aconteceu para me preocupar com o que as personagens estavam a viver e como a Claire se estava a relacionar com esta nova vida.

 A Claire é uma personagem muito realista, se estivesse na sua situação provavelmente teria tomado muitas das decisões que ela tomou, e bastante forte também pois, sendo uma mulher do século XX, não se rebaixa perante o pensamento retrógrado para com as mulheres da sociedade do século XVIII. Também outras personagens mostram ser relacionáveis e parecem reais. Apesar de haver romance no livro, não é um romance piegas e como os que já vimos em todo o lado, onde as personagens se deixam levar e entregam tudo pelo outro sem sofrerem e acaba tudo bem no fim. Neste livro as personagens sofrem e passam por situações difíceis e lidam com elas como seres humanos. 

A história é cheia de acção e de acontecimentos. Enquanto lia as ultimas páginas, lembrei-me de acontecimentos do início do livro que pareciam já se ter passado noutro livro. 

 A escrita da autora também é bastante agradável e coesa. Nota-se que houve pesquisa e o cuidado com o detalho é impressionante. Ao ler este livro, posso dizer que aprendi coisas que não sabia sobre a sociedade da época.

Diana Gabaldon publicou o livro em 1991. A autora pretendia treinar a sua escrita então pensou em começar a escrever uma história. Queria que relacionasse uma época histórica mas não sabia bem qual. Depois de ver um episódio de Doctor Who (The war games), onde o doctor tinha como companheiro um jovem de 17 anos do ano de 1745, chamado Jamie McCrimmon, a autora começou então a inspirar-se e daí nasceu Jamie Fraser. A Claire surgiu da sua vontade de colocar uma mulher moderna a "mandar" nos homens do século XVIII. Depois a sua maneira de fazer isso acontecer foi através de viagem no tempo.

Em Portugal o livro foi traduzido com o nome Nas Asas do Tempo para quem estiver interessado :)

Eu gostei do livro e recomendo a todos que o leiam e vejam a série que apesar de alterar algumas coisas está muito boa. 





Beijinhos 
Marina Pinho