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sábado, 23 de abril de 2016

Opinião: 1984 de George Orwell

Não é segredo para quem já me segue há algum tempo que este é um dos meus livros preferidos. Depois desta minha releitura estou até mesmo tentada a dizer que é o meu preferido de todos.

Foi graças a este livro que eu comecei a prestar mais atenção ao mundo que me rodeia ao qual eu, até então, observava com olhos inocentes. Penso que ninguém que compreenda o significado deste livro, sai desta leitura com a mesma mentalidade com que o começou a ler.

Conta-nos então a história de Winston Smith, um homem de quarenta e poucos anos que se vê num mundo completamente opressor, onde todos os seus movimentos e até pensamentos são observados com uma minúcia exagerada. O Partido como é chamado, conta com a figura central do Big Brother para transmitir os seus ideais (fun fact: o programa televisivo Big Brother foi ironicamente inspirado nesta figura, o que pensaria o autor...). Este Big Brother, uma figura que simboliza o poder do próprio Partido, observa todos os movimentos da população que se encontra dividida em três classes: o partido interno (inner party), o partido externo (outer party) ao qual pertence o protagonista e a prole (proles).

Winston conta como no seu mundo, divido em três grandes estados (Oceania que abarca as ilhas Britânicas, a América, a Nova Zelândia, a Austrália e o sul de África , Eurasia que conta com todo o resto da Europa e a União Soviética e Estásia composta pela parte da Índia), o Partido controla toda a informação que entra e sai e reescreve constantemente a História de forma a passar sempre uma imagem positiva do estado do país. Todos os anos são anunciadas melhorias quer na alimentação quer nos bens essenciais, no entanto só Winston parece perceber que não é bem assim. Todas as pessoas parecem cultivar o doublethink que, como o próprio nome indica, se trata de acreditar em algo que se sabe ser mentira no entanto percebemos como verdade.

Outra ideia interessante que o Orwell apresenta é o facto de existir o newspeak, que consiste no facto de, todos os anos, o Partido ir diminuindo o vocabulário da população baseados na assunção de que, se as pessoas não tiverem certas palavras no seu vocabulário, não poderão pensar nelas. Se eu não tiver, por exemplo, a palavra "amor" no meu vocabulário eu não saberei expressar isso pois não sei o que é nem pensarei nisso.

Neste mundo, o Partido também destrói as relações de intimidade. O sexo é visto como um dever para com o Partido, de reproduzir e criar novas gerações, sendo por isso os casamentos realizados por obrigação e não por qualquer tipo de afectividade. As crianças também não demonstram afecto pelos pais, sendo indocrinadas desde pequenas para vigiarem os familiares e os denunciarem caso vejam ou ouçam algo suspeito.

Como conseguem perceber, o autor apresenta-nos ideias muito interessantes sobre os modos de controlo da população. Orwell ainda descreveu as televisões como aparelhos com câmeras que podiam ser activadas pelo Partido a qualquer instante não sabendo, por isso, ninguém quando estava ou não a ser observado, permanecendo sempre em estado de alerta. Isto, em 1948, onde ainda não existia a smart tv de hoje em dia.

Winston começa por isso a tentar revoltar-se contra o partido e para isso compra um livro onde todos os dias escreve os seus pensamentos de forma a libertar-se um pouco da sua sensação de sufocamento. O livro leva-nos a conhecer este mundo ao detalhe e a jornada do protagonista na sua tentativa de se libertar deste controlo permanente, onde acaba por conhecer Julia, uma jovem mulher com quem acaba por ter uma relação e partilhar os seus pensamentos de revolução.

Espero ter-vos deixado curiosos e com vontade de lerem este livro maravilhosamente escrito!
Se já o leram, digam o que acharam pois adoraria ouvir a vossa opinião! :)

Beijinhos 
Marina Pinho 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Opinião: Jonathan Strange e o Sr. Norrell de Susanna Clarke

Sempre que ia à biblioteca que um certo livro vermelho me saltava à vista. Uma vez dei uma olhadela e gostei do tema mas como era um calhamaço com letras tão pequenas deixei ficar. Recentemente, enquanto passeava por canais de booktubers internacionais, deparei-me de novo com este livro. Vi alguns vídeos que me convenceram, ganhei coragem e lá o requisitei. E ainda bem que o fiz.

Jonathan Strange e o Sr. Norrell foi um livro que levou dez anos a ser escrito e uma pesquisa imensa por parte da autora.

O livro começa por nos apresentar, sempre numa linguagem peculiar, a sociedade de magos de Inglaterra, todos eles magos teóricos pois a magia há muitos anos que havia desaparecido do país. Esta sociedade acaba por ser desfeita por parte do Sr. Norrell, o primeiro mago praticante em muitos séculos. Com uma personalidade também ela própria, o Sr. Norrell passa os seus dias fechados na sua biblioteca gigantesca pela qual tem um carinho especial. Há medida que o livro avança surge outro mago praticante, o Jonathan Strange com uma personalidade muito mais afável e socialmente mais popular que o seu companheiro. Começa por ser aluno do Sr. Norrell e juntos terão a tarefa de restaurar de novo a magia dos tempos áureos em que o Rei Corvo (maior mago de todos os tempos) governada Inglaterra e Fairie (país dos elfos).

A ação começa no ano de 1807 e decorre pelos anos à medida que as personagens se deparam com as mudanças da época como a guerra. É portanto um livro de história alternativa que acompanha a luta dos ingleses contra Napoleão Bonaparte, em terras como Portugal, Espanha e Bélgica.

Todo o livro pode ser lido como um livro de história acompanhado por notas de rodapé que dão vida e veracidade à história contada pela autora. A escrita é maravilhosa, cheia de detalhes e sarcasmo, sendo por isso comparada a grandes escritores como Jane Austen e Charles Dickens. O narrador apresenta-nos a história de uma forma tão mágica como as próprias personagens. No decorrer dos capítulos são-nos apresentados diferentes pontos de vista e um desenrolar muito bom de toda a ação culminando num final estupendo.

São abordados temas sociais como a discriminação de género e racial sempre com personagens típicas e que transparecem a realidade da época e de hoje em dia.

Não posso recomendar que chegue este livro principalmente para os amantes de fantasia. Uma excelente leitura principalmente para os dias frios de Inverno onde nos é apresentada uma Inglaterra de sonho.

Deixo aqui ficar o trailer da mini-série da BBC baseada neste livro que mal posso esperar para ver :)


                  

Beijinhos 
Marina Pinho 

sábado, 2 de maio de 2015

Opinião: O Retrato de Dorian Gray

 Esta foi a minha primeira experiência literária com o tão conhecido Oscar Wilde e apesar de tudo,
adorei. Já tinha a curiosidade para o ler mas só quando o meu professor de Epistemologia referiu uma das peças do autor é que decidi dar o passo de comprar uma das suas obras. Não sou grande fã de peças de teatro por isso decidi embarcar por este livro.

Esta história tem como personagem principal  Dorian Gray, um jovem  bastante ingénuo sobre o mundo e as suas realidades. Basal, um artista que o venera decide fazer um retrato dele e assim começa a premissa da narrativa. Dorian acaba por num momento de desabafo desejar que em vez dele, seja o quadro a envelhecer para que este pudesse continuar com a sua beleza jovem. É exatamente isto que acontece. O livro revolve então em torno da sua vida e das suas escolhas sendo que a sua aparência se mantém.

É um dos livros com maior crescimento da personagem principal que eu já li. O jovem ingénuo que nos é apresentado nos primeiros capítulos em nada se assemelha ao homem do seu final, mas ironicamente a aparência é a mesma. o longo da narrativa vemos o desenvolvimento e os ideais deste a mudarem de uma forma bastante impressionante. A forma como este é influenciado por outras personagens é outro ponto que eu gostei bastante pois mostra como uma visão mais fria e cruel do mundo pode corromper uma alma "pura".

Podem contar com um livro com grandes reflexões sobre a sociedade e as suas hipocrisias, assim como sobre a importância da beleza e  juventude nos jogos de futilidade desta. Cada frase escrita por Wilde é uma reflexão certeira e que nos faz reflectir, para além de serem extremamente líricas. 

Portanto, penso que já perceberam que recomendo imenso este livro como sendo uma leitura quase obrigatória pela prosa maravilhosa e momentos de reflexão que  proporciona.
Um dos melhores livros da minha pequena colecção, sem dúvida!

Beijinhos
Marina Pinho